à conta gotas
“…você espera?”
Começa aqui de fato… na verdade não começa aqui. Muito tempo atrás já havia uma luta de palavras sem letras nem sentido que são os sentimentos dentro do ser que sente. Eles tentam enganar uns aos outros e acabam por confundir a mente que pensa horas e dias e noites no que diz respeito ao coração. Daí o ser que sente e o ser pensante duelam numa batalha que dilacera a alma, até o ser que sente pensar numa maneira – que ninguém explica, porém sempre funciona – de fazer o ser pensante sentir sem pensar ou usar os sentidos.
Então, o homem-alma-dilacerada, que já não falando o que pensa (sabe-se lá por qual motivo), vai sendo dominado por um sentimento que (mais que os outros) não tem palavras, dando continuidade à introspecção de algo tão não dele. Algo que vem de alguém, consumindo a razão e germinando a loucura enraizante, que vai se arborizando no que eram só idéias – e agora sã lampejos de uma fingida lucidez. Algo que permanece a esse alguém, mas não quer sair dele.
A loucura, fruto do silêncio, passível de não amadurecer, faz sentir que os pés não estão mais tocando o chão. Isso trás a flor da pele a adrenalina que sua frio pelos poros, para conter o calor que emana o corpo, que treme pelo aparente choque de vários opostos. E faz sentir que finalmente está se achando o ponto certo e que talvez não haja certeza. E faz sentir uma força que nunca fora dele e ainda sim não é capaz de levantar a voz a um tom audível.
E então essa vontade de falar vai se debatendo do lado de dentro, fazendo o ar acabar. Só conseguindo por toda vez pegar o que ela jogou fora por um momento e soltar de volta logo após, pois não parece ser tão saudável assim…
“Espero”
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