à deriva
A mente humana é algo complexo. Imagina quantas coisas podemos pensar e fazer e quantos músculos comandar e células e todas essas coisas, e ainda dizem que a gente não usa nada do potencial do cérebro. Por que então, nesses oito ou dez por cento que a gente usa da nossa mente tem coisas que não se esquecem? Coisas as quais não conseguimos nos livrar.
Por que escrever sobre isso? Por que escrever sobre outra coisa? Por que escrever sobre qualquer coisa? O que na mente nos movimenta? Nos faz querer fazer? Nos faz querer não fazer, deixar de fazer ou simplesmente deixar de querer? Será algo perdido nesse mundo desconhecido da mente ou solto no ar? Será a água que a gente bebe ou a água que a gente não bebe que influencia? Se meu filho for metade meu metade do que eu tenho metade do que eu sou, se meu filho tiver metade da minha dor de cabeça do meu medo da vida… não sei se ele vai gostar desse lugar, mas espero que ele seja ao menos meio feliz, metade satisfeito ou precise da metade do que eu preciso pra sorrir… mas que ele ainda seja exigente porque não é por não se precisar de muito que se tem de querer pouco… espero conseguir amá-lo, espero conseguir criá-lo da melhor maneira possível, porque é o mínimo que a gente deveria fazer por quem não pediu pra vir pra esse lugar, essa existência, esse tédio.
Espero que ele goste desse lugar… e a outra metade? Se ele tem uma metade minha tem que ter outra metade… espero que outra metade diferente de mim igual a mim que me complete que me encaixe ou até nada disso mas que apenas me faça querer juntar metades em filhos e coisas assim, ou que tenha algo que nem se os dez por cento do cérebro procurassem nos outros obscuros noventa encontrariam e me confunda eternamente, descobrindo a cada dia um pouco e a cada noite um tanto mais.
Abri três caixas de texto e tentei escrever nas três alternadamente mas não consigo fazer isso direito… acho que não consegui separar bem as coisas… na verdade nunca separei bem nada e foi aí que as coisas começaram a se misturar e se complicar – porque antes disso elas eram simples coisas – e então eu não sei mais o que fazer… eu nunca sei o que fazer… por isso agora não misturo mais nada. Isolei tudo de mim e agora me vejo num barco a vela no meio do mar… longe de tudo, de todo, de mim.
Que coisa mais linda…cheia de verdade. Você escreve tão bem, véi…te admiro djimais
Okey, o que eu vou dizer?
Hm… Acho que a garota por quem você vai se confudir, com quem vai se encaixar, se completar e complementar, terá muita sorte e acima de tudo será muito amada. Vc tem a alma de um poeta e sabe expressar isso de uma maneira muito sua, muito única, muito perfeita. Um dia eu chego lá.
Melhorou?
Me deixou meio tonto.
É realmente foda se escrever o que se pensa de um modo que os outros consigam entender.
Ainda mais duvidas assim.
Muito bom, man.
e quem disse que usamos 10%? ouvimos isso sempre, mas quem mediu os ditos 10%? 10% do que nao se tem noção do quanto é pode muito bem ser 100%.
uma vez um tutor meu, neurologista, me fez pensar isso…
e quanto às metades… duas metades sempre fazem um inteiro… cabe a gente gostar desse inteiro pela novidade que é a interação nunca vista das duas metades propostas.
acho que duas metades conseguem se mesclar de formas tao mágicas que às vezes são simplesmente lindas e só merecem ser observadas caladas.
texto muito bom, man.
não somos meros 10%, somos infinito. e metade de infinito ainda é infinito.
tô cansado de tudo meio, pela metade.
Também estou nesse barco. À deriva..
Nelson, sou sua fã. (y)
Você tem a alma de um poeta. Meu veterano! *-*
é impossível, isso de se isolar. você pode até pensar que se isolou e então sente um vento repleto de interferências externas e lembranças e desejos e aí… já era.
gostei, gostei muito do texto!
=*
Tempão que tinha lido esse aqui, mas como não comentei, quando reli, senti a necessidade de dizer…
Nelson, como vc consegue?!
Simplesmente sensacional!