o amor em 10 faixas

Love Reign O’er Me 

O Amor é maior que eu e você. Ele é essa força que nos atrai em dias nublados. Tão certo quanto a ressaca do mar o faz querer a praia, eu te procuro e essa certeza é o Amor. É o que me faz querer ser melhor e me dá a vontade de criar uma vida de nós dois apenas para amar.  Só o Amor pode trazer a chuva que faz você desejar o céu. É o que me faz querer te dar esse céu para que você O reconheça em mim. O Amor é o que me faz conseguir.

Something 

“Porra, cara! Ela é incrível! É como se deus tivesse construído a versão dele pro Taj Mahal. Com peitos!”, falou tragando a bebida quente em seu copo de uma só vez. Ele bebeu muito hoje. “Ela é tipo… ela é…”, “Eu sei, cara”, “sabe?”, “imagino”, isso acaba comigo qualquer dia. “É que ela tem um lance… uma coisa… alguma coisa que, sei lá, porra.”, em meio a dúvida ele chama o garçom que lhe serve mais uma dose. “Dupla”, “ela tem disso mesmo”, “de quê?”, “sei lá, disso que você diz”, melhor parar. “Ela é a melhor de todas. Conhecer a perfeição faz a gente não querer viver a mediocridade. Sério. Se dependesse só de mim, isso tava mais que resolvido”, ele tentou virar o copo de uma vez de novo, mas parou em meio a uma careta. “Eu penso que não dá pra amá-la mais do que eu já amo, mas aí ela faz aquela parada dela, sabe? Ela sorri e todo amor que eu tinha antes já parece pouco. E funciona quando eu penso no sorriso dela também… o que é basicamente sempre”, “sei exatamente como é”, “exatamente?”, “é… de uma maneira geral”, parei. Se eu ficar mais bêbado que ele é capaz terminar morto. “Sabe, eu não quero deixá-la agora”, “eu sei, cara. Pode ter certeza.”, chamo o garçom e peço a conta.

Tarde Vazia 

Tô cansado disso tudo. Todo dia esse cinza, a neblina, o frio, o metrô, o busão, o outro busão, aquelas pessoas e carros e de novo e de novo e de novo. Mesmo que um dia faça sol e no outro chova, mesmo que sejam outras pessoas, tudo faz parte do mesmo ciclo que repete e repete e repete.

– Alô?

– Oi!

– Liguei na hora errada?

– Acredite, nunca é.

– Que bom! Na verdade eu só liguei pra saber como tu tá.

– De verdade? Tô ótimo!

– É… Eu causo esse efeito.

– Acredito.

– Que barulheira! Tu tá onde?

– No ônibus.

– Que altura?

– Osvaldo Aranha, passando pela Santo Antônio. Voltando pra casa.

– Sentado do lado direito ou esquerdo?

– Isso importa?

– Muito. E dependendo da sua reposta é urgente.

– Esquerdo.

– Levanta e vai pra uma janela da direita.

– Eu vou perder o-

– LOGO!

– Ok, ok! Tô aqui!

– Vendo o quê?

Pela janela vejo fumaça, vejo pessoas

– E…

– A mulher mais linda da cidade segurando uma cartolina.

– Que diz…

– “Te amo”.

– Eu também te amo, lindão. Não precisa chorar.

– Tá ouvindo? Pessoal no busão gostou de você.

– Sempre gostam hahaha. Olha, tenho que ir. Ligo mais tarde.

– Ligue mesmo!

– Beijo.

– Bei- Ei!

– Oi?

– Só pra dizer que de todas as garotas, você é diferente.

– E é?

– Sim, se houvesse um bilhão delas no mundo, você seria a melhor. Mas só tem você.

– Hahahaha tá certo.

– Beijo!

– Beijo. Até mais.

Agora eu sorria. As pessoas em volta sorriem também. O cinza era menos cinza. Hoje é um dia especial e o mundo um bom lugar pra viver.

Chorando e Cantando 

foram os melhores dias que tive. ele foi uma loucura em minha vida. o conheci naquele carnaval. logo de cara ele mentiu para mim, dizendo que estudava pra médico. quando eu perguntei no segundo dia, disse que era pintor, que não tinha onde cair morto. chamou-me pra uma volta pela cidade. entramos no seu carro do ano. perguntei como poderia acreditar nele. ele disse que o amor era paradoxo constante, que mentia pra todo mundo e ninguém prestava queixa. o suor era frio; o dia, noite; e que amar para ele era assim. e ele mentiria para mim todos os dias. eu estava apaixonada. assim que era Maurício. no bar, subia na mesa e cantava os berros. fingia de morto no meio da rua. era intenso e radiante. até o dia que acordei e Fernando não estava mais lá. um sorriso quando acordar, pintado pelo sol nascente, era o que eu esperava. mas só uma tela sem autor que retratava um sol em plena noite. desde então eu procuro Ricardo em cada pessoa que me olha indiferente. foi então que todo mês virou fevereiro. cada olhar poderia sê-lo, mas nunca é.

Meu Sol 

Eu sou mala feita, alma pronta, casa aberta. Vejo-te chegada, meu coração, meu lar. A gente passou muitas noites juntos pensando as mesmas coisas, bolando planos impossíveis, sonhando nossos filhos. Era o amor que ninguém vê. E os dias, lembranças e o cochilar feliz de um simples instante. Hoje eu sou esse agora e você o aqui. É o nosso tempo. A noite foi uma ideia que surgiu para o dia trazer a certeza. A escuridão me seguia com seus temores, mas, se milhas nos separaram, as horas nos uniram. Mais do que eu poderia querer foi sua voz dizendo “não esquece, o sol renasce amanhã”. E ele veio. Atravessou o dia prometido e chegou naquele instante, no meio da noite. Compartilhar um banco de praça ou uma janela, um sofá ou uma cama. Uma vida pra nós dois. Tudo que eu quero olhar, tudo que eu vejo, a parte boa do que eu sinto. Sou a mesma resposta pra cada dilema. O seu sorriso é o lugar. Seu abraço, o segredo. Esse amor, o sagrado.

Um Girassol da Cor de Seu Cabelo 

É triste quando tudo termina antes mesmo de acabar. Quando a gente não sabe o motivo que levou ao fim e isso faz com que questionemos a nossa própria existência. Ainda bem que não choveu. A chuva seria algo muito bom para o momento que só merece esse mormaço. Eu sei que a gente não tava bem, que tivemos que adiar alguns planos. O que me dói é que não tem mais como a gente se acertar. Eu sei que tudo não estava tão ruim assim, não é? Eu sei que a gente discutiu por conta da minha pergunta fora de hora e que você não tinha certeza sobre essas coisas. Passar uns dias sem se ver parecia uma boa ideia pra por as coisas no lugar, porém não sei mais quando irei te ver. Pra mim nada mudou.  Ainda gosto das mesmas coisas bem como das suas coisas. Queria cantar pra você agora. Assim eu teria você para cantar. Depois de alguns dias, você quis saber de mim. Mandou uma mensagem perguntando se eu estava bem. Eu só vi a noite e resolvi ligar, mas você não atendeu. Quando meu telefone tocou não era você, mas a notícia de que você se foi. Agora o vestido roubou a cor da terra, a cor da alegria e transformou tudo em azul. Será a cor do meu pensamento, vai ser o azul que tingirá minha pergunta sem resposta para sempre.

“Você ainda quer morar comigo?”

Bonita 

A gente se encontrava no terreno perto da casa dela. Teve uma vez que ela caiu e ralou o joelho. Foi indelicado da minha parte rir, mas eu tava meio chapado. Não precisava jogar um pedaço de tijolo em mim. Fiquei muito puto, mas ela abaixou minha bermuda ali mesmo e me pediu desculpas com a boca muda. A parte ruim foi o mertiolate depois, que não era nada perto de estragar aquela lembrança. Tudo o que a gente queria era se pegar loucamente, mas éramos jovens demais pra um lugar apropriado. Minha casa era impossível, na dela não podia passar do sofá. A gente deve ter visto Simplesmente Amor umas quinhentas vezes depois do colégio. A irmã pentelha estudava à tarde. Quando seu pai saía e sua mãe ia para o quarto, ela sentava no meu colo e eu a mordia e apertava. Ela tirava o sutiã por baixo da camisa e eu abria a calça. Ela colocava a calcinha pro lado e a gente enlouquecia com todo o silêncio possível. Mas ela foi embora. O tempo passou e umas coisas mudaram. O terreno lá perto virou um prédio grande. Gente nova foi morar na casa dela. Cresceram o muro, pintaram a fachada e puseram uma cerca elétrica. Até que ela me achou na internet semana passada. Disse que era tarde pra eu estar aquela hora. Fiquei feliz e perguntei se ela lembrava disso tudo. “Impossível esquecer” foi a resposta, acrescida de que foram bons tempos. Eu disse pesaroso que mertiolate não ardia mais. Ela falou que não era ruim pra gente e que quando voltar vai ser melhor. Agora faltam poucas horas pra gente se encontrar num sonho bom. Mas ninguém vai dormir.

Razorblade 

A cozinha estava quente e ninguém ligara o forno. Era só o domingo de sol e a TPM. Ele rezava – a todos os deuses de que ouvira falar – para que fosse o ciclo. Ela disse que ele tem que aparecer sempre. “Mas eu sempre apareço”, ele respondeu.

– A questão não é essa – a resposta veio cercada de convicção.

– Mas era o que a gente tava falando – ele soltou o primeiro “mas”.

– O que eu estava falando. Você nunca fala nada! – ela era uma garota esperta, ganhava mais espaço.

– Você fala por nós dois – quando foi que isso tudo virou um jogo?

– Agora é assim? Não precisa aparecer mais, então. – Sentenciou pegando raivosamente uma faca suja na pia que apontou para ele.

Ele olhou a lâmina que, naquele momento, cortou limites.

– O que você vai fazer com essa merda? – as palavras saíram sabe-se lá como.

Ela jogou a para a própria mão e jogou a faca longe, incrédula. Ele se virou e foi abrindo a porta que dava pra o corredor.

– Desculpa, amor! – a consciência trouxe um pranto sadio. Triste era que aquilo era a parte mais saudável daqueles dias.

– Calma, calma – apaziguou o rapaz. – Tá tudo certo.

Ele não fazia ideia do motivo dela fazer aquele tipo de coisa, mas não se importava enquanto a quisesse. Parecia loucura, mas ele se achava vacinado para o que fosse. Lembrou que aquilo era um jogo desde o começo. Eles eram perfeitos um para o outro.

Thank You 

Quando você me acorda o dia é mais especial. É lembrar da beleza do sol, mesmo por trás das nuvens, só pra ter certeza que você é mais bonita. Acordar com o seu sorriso faz o dia parecer feriado. Você é pura inspiração. Não como dizem os poetas, mas um ímpeto de viver mais, de largar o trabalho e fazer algo totalmente diferente para descobrir o mundo contigo. É vontade de ter mais um filho. Mesmo que bobagens interfiram nesse sentimento às vezes, até elas servem pra lembrar que meu amor é forte, com você não existe erro. Quando eu vejo seu sorriso ao acordar, sei que o fim do mundo não vai ver o fim do nosso amor.

Obrigado.

Mesmo que Mude 

Passa um tempo sem se ver, evitando ligar e coisa e tal. Quer saber como o outro tá, mas não quer que ninguém saiba que quer. Só que todo mundo sabe. Mesmo assim é de se iludir. Fica mal se outro tá bem, se tá mal também. Aí é se ocupar com outras paradas. Coisas que façam a gente melhorar e que também mudam um pouco a gente. Lembra um pouco menos; dói um pouco menos. Aí o acaso faz um encontro. Todo mundo de boa, ainda que não. Diz que não esperava que tivesse curtindo isso, não que não fosse legal. Diz que não pensava ver essas roupas, não que fosse ruim. O “até mais” talvez venha com aquele “a gente se vê” inocente ou o “vamos marcar” automático. Engraçado como cada um seguiu a vida e o coração de repente lembra que é sempre amor, mesmo que mude. Será que só para um dos dois? Não tem mais o número na agenda, mas sabe de cor. Deveria?

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Ideia descaradamente copiada de Marden, entretanto, devidamente creditada. Pra ouvir a minha lista na moral, é só clicar aqui.