a professora

Minha farda ainda tinha shorts; meu material escolar, lápis de cor; minha mochila, uma lancheira. E claro, meu coração, uma professora. Ela não era gorda como a coordenadora, nem mal humorada como a minha mãe.

Ela era muito linda. É difícil saber se as coisas são realmente lindas quando você é criança porque não se viu ainda muitas coisas realmente lindas para comparar, ou então por se ter um critério diferente de quando se cresce, afinal, nessa idade a gente percebe o mundo diferente. Daquela época eu lembro que achava bonita a bola de couro do meu colega lá da rua, algumas ximbras que eu colecionava, o mar, algumas conchas que eu até guardava (mesmo sem conseguir ouvir o mar como diziam que eu poderia fazer ao encostá-las ao ouvido), o jardim da tia Glória – com aquele monte de flores coloridas – e a professora.

O cabelo dela era bem grande, quase na cintura e fazia ondas que nem o mar. Ela sempre o colocava atrás da orelha quando caía na frente do rosto e de vez em quando pegava ele todo, enrolava e colocava de lado ou atrás do ombro. A cor parecia chocolate ou o tronco de uma árvore bem marrom. Ela tinha um rosto bonito também com bochechas salientes e um sorriso bastante grande e verdadeiro como aqueles que se dá ao ganhar presentes no natal.

Eu era um bom aluno porque gostava de responder as perguntas, para ela me olhar sorrindo e falar “muito bem, querido”.  Minha mãe e minha tia me chamavam de querido em situações boas, mas era melhor quando a professora falava. O sorriso dela era o melhor de todos e a turma inteira gostava dela. Depois, quando a gente fazia as atividades, ela passeava por entre as carteiras da sala. Ela tinha um perfume muito cheiroso. Parecia o jardim da tia Glória. Quando chegava ao meu lado, passava a mão na minha cabeça. Eu gostava e olhava pra ela sempre. Ela sorria novamente e os olhos dela eram brilhantes.

Eu pensei que poderia dar de presente a ela alguma coisa. Então resolvi pegar duas ximbras que parecessem os olhos dela. Procurei no meio da minha coleção, mas só encontrei uma. O Julinho tinha uma igual. Entreguei três minhas que ele queria por aquela e não me arrependi da troca. Demoraria uma eternidade até ver outra assim. Em casa, à noite, eu segurei as duas e fiquei pensando na hora de entregar a professora. Desisti. Devia ter alguma outra coisa legal que servisse. Eu queria as ximbras mais que ela, que nem deve jogar.

Decidi levar as conchas. Guardei as mais bonitas numa caixa de sapatos nova e levei para o colégio no outro dia. Quando a aula terminou, todo mundo saiu correndo da sala e eu chamei a professora. “O que foi, querido”, disse que tinha um presente e fui entregar na mesa dela. Dei-lhe a caixa e fiquei olhando os meus tênis. “Pra mim? Que lindas!”, olhei o sorriso e devolvi outro, “você que pegou na praia?”, afirmei corajosamente, “muito obrigada, querido”, e me abraçou forte ainda sentada e me deu um beijo no rosto. Pude sentir o seu hálito, sua maciez e o cheiro do seu cabelo.

Era bem melhor que o jardim da tia Glória.

 *                           *                             *

Quando eu tinha uns catorze anos, minha professora de inglês era minha musa. Os caras do colégio olhavam as garotas da sala e comentavam sobre elas. Eu pensava só nos dois dias da semana em que iria pra aula de noite lá perto de casa. Eu nem gostava de inglês de verdade, mas não perdia uma aula dela.

Ela era nova. Parecia com qualquer aluna das turmas mais avançadas, inclusive. Era bastante raro uma professora de inglês que não tivesse por Abba nem Madonna seus eleitos supremos. Bastante bonita, pronunciava o th de um jeito que sempre me fazia sorrir. Mas não era isso que eu mais gostava nela.

O mais legal era que, por ter seios pequenos e firmes, ela não costumava usar sutiã, o que, geralmente, ficava aparente. A teacher só ia assim com camisas escuras, pude notar. Quando a veste era um pouco mais justa às suas formas a deixava mais bonita. Mas o legal mesmo era quando ela ia com uma camisa de tecido mais fino. O condicionador de ar sempre me presenteava (as outras quatro pessoas da minha turma eram mulheres e talvez não aproveitassem tanto quanto eu, que achava aquilo o máximo e desconsiderava qualquer outra turma para qual ela também lecionasse). Também tinha essas camisas de malha fina tinham seu ápice com um decote grande na frente. Ela tinha duas assim. Uma verde escura e outra preta. Ambas com aquela gola meio grande e caída. Quando ela ia com uma dessas, eu sempre entrava um pouco atrasado na sala, porque ela estaria debruçada sobre a caderneta e eu poderia ver os seios dela um pouco. Também eram os dias que eu tinha mais tinha dúvidas.

E os dias que, depois da aula, ao chegar em casa e ir para o quarto, seria a imagem dela na minha mente a conduzir minha mão. Quase sempre do mesmo jeito. Ela me via espiando seu decote e ao fim da aula me mandava esperar, pois eu seria punido. A teacher perguntava se eu gostava de ficar olhando os seios das moças por aí e eu dizia que só os dela. Então dizia que tinha algo pra me ensinar enquanto tirava a roupa. Eu tirava a minha também e a gente transava ali na sala com ela apoiada na carteira ou no chão. A minha mão corria urgente entre os say my name, oh yes, don’t stop, Jesus, God e ninguém fora da sala ouvia ou interrompia. Maravilhas do mundo das ideias.

As garotas da turma começaram a reparar em mim, mas eu não me importava. Até o dia que a professora foi com a camisa verde e elas começaram a tirar piadas sobre isso. Eu, claro, queria sumir, mas a professora olhou pra mim e disse sorrindo que eu nunca tinha faltado o respeito com ela e que na nossa idade era comum ter interesse por pessoas mais velhas. Ela começou a perguntar pra todos na sala experiências assim, tudo em inglês, claro. Ela mesma contou que gostava de um professor e que o achava muito atraente.

Não sabia se ficava aliviado por ela me livrar ou triste por ela gostar de um cara mais velho, com o qual eu não tinha a intenção de competir, mas que feria meu platonismo. O que me intrigou naquele dia foi o sorriso dela. Sempre sorria para todos, mas terminava na minha direção. Como a situação foi revertida, eu não saberia dizer se era cumplicidade, pena, carinho por um garoto que tinha um sentimento mais tátil em troca, se era impressão minha ou se, ainda que remotamente, ela queria tanto como eu.

Ao final da aula, saímos da sala e eu fui logo para o banco em frente ao portão esperar a carona do meu pai. Ela passou por mim e me cumprimentou. Disse que eu não precisava ficar acanhado nem nada, mas que ia se sentir desconfortável se as garotas continuassem com piadinhas. Eu entendi e disse que ia parar com aquilo. Ela respondeu thank you, babe e sorriu doce. Eu sorri de volta um pouco culpado, um tanto aliviado. Ao ouvir um carro parando em frente à escola ela atravessou a rua e entrou. Era um daqueles carros que quando abre a porta acende a luz interna. Antes de apagar eu a vi beijando o cara mais velho que dirigia.

Na aula seguinte ela foi com a camisa preta.

*                             *                             *

Eu estava realmente nervoso, afinal, era o dia de apresentar meu trabalho de conclusão. Engraçado como as coisas mais legais do momento não importam tanto quando se está prestes a ter uma crise de nervos, um ataque cardíaco, uma diarreia ou tudo isso ao mesmo tempo. Pelo menos é isso que o corpo faz você pensar (e às vezes até conseguir) ao invés de se deter à informação de estar prestes a me livrar dessa pressão, o foco era a falta de ar e o suor que enchia minhas mãos e marcava a camisa nas axilas. Eu não havia conseguido dormir direito esta noite e tive um pouco de medo de arriscar usar a moto. Paguei uma nota de taxi, para evitar qualquer imprevisto e cheguei bem mais cedo do horário na faculdade; era melhor fazer hora por lá. Minha orientadora disse que, já que eu não queria pessoas assistindo a defesa, conseguiu marcar com a banca na sala de reunião da pós, que ninguém usa neste horário. Perfeito.

Eu a conheci quando me matriculei em uma eletiva. Era realmente linda. Tinha luz própria em qualquer jeans e camiseta. Não conseguia deixar de prestar atenção em nada da aula. Acho que por isso era natural que ela demorasse mais o olhar no meu durante as explicações. Para completar, a matéria era melhor do que eu pensava.

Um dia cheguei junto dela com seu perfume inconfundível no corredor e pedi para falar por dois minutos. “Só dois?”, com aquele sorriso arrebatador que me desmanchou lentamente como o sol faz a uma bola de sorvete napolitano ou de qualquer outro sabor. Sorri de volta e disse que gostava muito das aulas dela, “acho você um ótimo aluno também, não é bom?”, aí eu já estava pensando em como eu queria apenas falar mais para ser interrompido assim. Continuei dizendo que a matéria era a minha favorita, “acho que você seria um ótimo professor”, os olhos dela brilhavam bastante, talvez por conta das lisonjas. Completei a chamando para ser minha orientadora, apesar de não ter uma ideia que fosse de como abordar o tema ainda nem qual seria, pra ser mais sincero. Então ela marcou uma reunião comigo.

Desde então foram alguns encontros. Primeiro após a aula, com algumas indicações de leitura. Depois na sala dos professores um rápido debate sobre o que eu tinha lido. Daí, marcamos algumas vezes num café, pois poderíamos ficar mais a vontade. Era melhor, já que assim ela mostrava um lado não conhecido por mim e ainda mais encantador. Dona de um senso de humor sensacional, sua sagacidade me deixava fascinado. A melhor reunião era a menos produtiva. A menor parte dela era sobre o trabalho, que andava bem.

Ela tinha um riso fácil e bonito, o rosto também. O longo cabelo preso num tipo de coque com aqueles pauzinhos que facilmente seriam trocados por canetas num futuro próximo. Desse jeito eu podia ver-lhe muito bem o pescoço, os ombros e o colo. Ela tinha uma pele bastante bonita, que valorizava mais a região. Que charme de mulher! Geralmente ela usava jeans e camiseta e já era deslumbrante. Eu gosto muito da bunda dela, que não era grande, mas especialmente bonita. Algumas vezes, quando o calor vencia a modéstia, ela aparecia de vestido. O que é um absurdo por ser exceção, já que deveria ser regra por nascimento. Geralmente tinham uma malha fina, modelando bem em seu corpo delgado. Quando as alças eram finas, valorizavam a região das saboneteiras; ela tinha belas saboneteiras. E eles sempre realçavam a proporção perfeita entre sua cintura fina e seus quadris. Uma mulher magra e absolutamente mordível.

Ao chegar à porta da sala, ela estava esperando. Usava sapatos pretos de salto alto (a primeira vez que a vejo usando) o que a deixava deslumbrante e quase da minha altura. Uma saia também preta de cintura alta que descia até os seus joelhos e estava presa num cinto discreto que devia ser conjunto do calçado. A camisa era rosa e de botão, dobrada na manga até acima dos cotovelos, desabotoada nos três últimos botões. O cabelo preso naquele coque, solto na frente. Ela me cumprimentou e disse que eu fiz bem em chegar um pouco antes. Abriu a porta com a chave e eu entrei. Disse que era a sala da próxima porta e pediu para eu ir preparando o computador com a apresentação. A essa altura eu já devia estar transpirando um rio. A sala tinha uma mesa comprida, com várias cadeiras em redor, menos na ponta onde ficava a parede do telão e o computador junto com o projetor. Ao lado da porta um filtro com porta-copos e uma cafeteira. Na parede da direita, janelas, e abaixo delas um grande sofá e ao seu lado um criado-mudo com várias revistas acadêmicas de diversas linhas de pesquisa. Do outro lado havia quadros com figuras ilustres que fizeram parte da história daquele setor na universidade com um móvel que deveria guardar papéis e material de escritório.

A professora entrou logo em seguida e puxou uma cadeira de trás da mesa e sentou-se. Apesar de todo o nervosismo do mundo, não pude deixar de notar aquela cruzada de pernas. Pediu para que eu pegasse um assento e me acomodasse. Obedeci dizendo que em quinze minutos chegariam os outros e eu estava a ponto de ter um treco. Ela descruzou as pernas, levantou e foi até a porta com a chave na mão. Deu duas voltas e a deixou na fechadura. Ao voltar, soltou o longo cabelo balançando-os num movimento – que meu olhos acompanharam involuntariamente – e disse que eu usasse esse tempo para tentar relaxar. Passou por mim e se demorou um pouco. “Fique calmo”, suas mãos massageavam meus ombros e eu quase pude esquecer o trabalho, “quem vai avaliar você hoje sou apenas eu”. Como assim?, ainda era difícil de entender. Nesse momento, percebi as persianas fechadas e a luz do sol fraca conseguia dar o tom da tarde na sala. “Sua apresentação é apenas semana que vem”, disse ao meu ouvido roçando levemente a língua nele, “Agora eu quero avaliar seu melhor trabalho”. A frase terminou com a língua dela percorrendo o meu pescoço e dissipando a anestesia do meu corpo. Com mãos ágeis, ela desabotoava minha camisa depois que eu a puxei para o meu colo e senti o gosto de sua língua. Com menos precisão, comecei abrir-lhe a blusa enquanto a professora desafivelava o meu cinto. Ela já abrira o zíper da minha calça e levantou-se para tirá-las, mas eu levantei-lhe a saia e me ergui da cadeira, segurando-a forte pela bunda. Sua resposta foi o cravar das unhas nas minhas costas. Fui até o sofá e me sentei com ela ainda em cima de mim, de um modo agachado, roçando no meu pau enquanto oferecia-me a língua.

Ela terminou de tirar minha camisa e eu também tirei a dela. Soltei seu sutiã e apertei-lhe os seios. Enquanto eu beijava-lhe o pescoço e as saboneteiras, testei um pouco os mamilos entre polegares e indicadores, depois com a língua. Minha professora parecia gostar de tudo. Ela segurava minha cabeça contra seu colo e aumentava a fricção ao se esfregar em mim voluptuosamente. Então, afastou-se um pouco. Toquei-a por sobre a calcinha que já estava bastante molhada. Sorri e o sorriso dela em resposta era diferente de qualquer um dos que eu esperava ela dar durante o dia. Era insinuante como cada olhar de agora. Fui tirá-la, ela segurou minha mão impedindo. “Agora é a hora da minha aula”, e levantou abaixando minha calça e cueca com minha pronta ajuda. Ajoelhou-se ali mesmo, na sala de reunião da pós. Sua língua e suas mãos passearam livres e lascivamente espalhando sua saliva. Quando comecei a pulsar em sua boca ela levantou: “Acho que você voltou a ficar tenso. Vou buscar um copo d’água”, e seguiu para o bebedouro. Fui atrás dela, segurei-a pela cintura e a encostei na mesa. Curvei seu corpo deitado sobre o tampo e tirei a calcinha encharcada. Aproveitei e a tateei um pouco. Rocei meu pênis de leve antes de colocar e as pernas dela tremeram de leve.

Ritmei meus movimentos e tinha a resposta em cada gemido. Quando ela tentava levantar eu a forçava contra a mesa de novo e puxava-lhe pelos cabelos. Aquilo era muito bom. Então ela me afastou sutilmente com a mão, e disse “hora da prova oral”. Enquanto ela caminhava de volta para o sofá e deitava nele, senti que explodiria junto com toda a realidade. Comecei beijando-a na parte interna das coxas, o que a fez arrepiar. Fui sem pressa à virilha e aos grandes lábios, o que a fazia gemer um pouco mais. Coloquei um dedo, depois o segundo, ainda a lambendo e sugando. Ela se contorcia bastante. Passeei com língua precisa, dando velocidade aos poucos. Fui acelerando até ela gemer deliciosamente alto demais para uma universidade, trazendo meu rosto para perto dela até desfalecer um pouco. “Aprovado”, ela disse. Subi o caminho do seu corpo ao passo leve dos beijos. Barriga, peito, pescoço. Quando cheguei ao ouvido disse que ainda precisava de reavaliação enquanto a penetrava devagar. Ela fechou os olhos como se o prazer fosse uma dor e abriu a boca muda que pedia aquela punição. Em seguida, me enlaçou com as pernas e me arranhava nas costas; em resposta acelerei. Sentia seu aperto com mais força e devolvia em ímpeto. Senti seus dentes e sua boca em meu peito e então ergui as pernas dela colocando-as nos meus ombros, enquanto pressionava nossos corpos um contra o outro. Ela gemia mais alto e eu segurava o quanto podia. Já eram quase gritos quando eu não pude adiar mais.

Suor. Saliva. Gozo.

Não havia mais diferença entre o meu e o dela.

Ficamos deitados ainda num mesmo laço por um tempo. Conversando e rindo. Depois nos vestimos, arrumamos a sala o melhor possível entre um pouco de diversão, e fomos para uma lanchonete da universidade. Durante a conversa, ela perguntou sobre o projeto, se eu ainda estava muito ansioso para apresentar. Tudo entre flertes. Ela pediu croissant de frango e suco de laranja. Fui de folheado de queijo e refrigerante. Comer e conversar amenidades me fez pensar que aqueles momentos atrás, aquele cheiro que não era o perfume dela, aquilo tudo fosse algo já distante. Terminamos a conversa e ela me ofereceu carona até um ponto relativamente perto da universidade, com mais opções de ônibus.

Achei que seria demais pedir outra aula no carro.

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